sábado, 27 de junho de 2009

Rotina

Rotina (Não vejo título mais apropriado a esta composição)

Escovar os dentes
Ir ao trabalho no mesmo horário
Almoçar a mesma comida
Chegar à casa e assistir à TV
E gozar trôpego e rápido
No corpo de sua amada
Assim descansa...

Para, no dia seguinte,
Repetir tudo novamente
E maquinalmente
Assim, a felicidade vem
Em pequenas situações extracotidianas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Antropofagia Ufanista

Antropofagia Ufanista

Pátria, minha, idolatrada
Com riquezas mil
Neste céu azul anil

Ò pátria, esquecida por todos.
Lembramo-nos dela somente
Em um dia específico
Não me excluo deste contingente

Nossa história é bela,
Contudo preferem a Geral
Monótona pode até ser.
Mas pertence-nos.

Cultura, nós temos,
Como existe em qualquer outro lugar.
A massa a produziu;
A elite se omitiu
E vangloriou o externo.
Devemos apreciar o não-nacional,
Sem nos esquecermos do que daqui nasceu.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Metáfora

Metáfora

Aquela estante empoeirada
Simboliza a democracia,
A lerdeza do Sistema

Deixem-na tomar um ar
Pegar um Sol, para brilhar
Com novos livros, não, somente, com belas capas
D’ouro e prata

domingo, 17 de maio de 2009

Geografia do Exílio

Geografia do exílio

Para as pessoas que não gosto
Quero que vão para o Himalaia
Pois as pessoas dessa laia

Merecem um frio extremo
E um bom congelamento
Sem um clima ameno

Ou então vão para a Sibéria
Pegar um bronze e radiação
Ou então lhes desejo miséria
Na África, sem nação

Mas no fundo, tenho uma alma
Caridosa, boa e calma
Com bons modos e temperamento
Esqueça! Não quero ver seu rosto!



Olha só!!! Eu sei rimar... Enfim, a qualidade das rimas é parca e bancarrota, mas o importante é tentar...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Férias

Férias

Período de libertação da escravidão dos livros didáticos, da sala de aula, de provas, de finais de semana comprometidos devido às várias provas. Está chegando o fatídico dia de inçar os materiais didáticos ao céu e começar a aproveitar e a abster-se dos ensinamentos do semestre.
Pois é, viajar, flertar, oscular divertir-se, sair, jogar bola e baralho- principalmente, ouvir música, ficar horas e horas na internet, dormir até de tarde e tarde. Caso você já fazia este tipo de coisa, bom, continue fazendo nas férias.
Aproveite o máximo, pois um mês passa rápido, então faça de tudo para descansar, porque esse mês é de direito àqueles que passaram direto. Todavia, para aqueles que ficaram de recuperação. Não se apoquentem, recuperem o tempo perdido e aproveitem o restinho do recesso!
Para que ao voltarmos às aulas, tenhamos muito o que escrever nos textos de redação, que os professores, com certeza, terão orgasmos múltiplos ao pedirem uma produção com tema: “como foram minhas férias”.


Coloquei este texto, pois ele exprime o que mais estou necessitando neste exato momento...

sábado, 9 de maio de 2009

Guia Completo da procastinação e protelação

Posso roubar cinco minutos do seu tempo?
Bom, ainda tenho cinco minutos para enrolá-los, digo entretê-los. O primeiro método de o fazer é através do silêncio. (Pausa longa) Convenhamos que o silêncio não seja a maneira mais indicada de entreter, pois é-lo- Sim, eu utilizo pronomes das formas mais esdrúxulas possíveis- um tanto quanto monótono. Por este motivo, vamos à segunda lição da procrastinação e protelação d’algo que deveria ser importante, mas- momentaneamente- não o é. Usar o colóquio da forma mais culta possível e palavras arcaicas não mais usuais. Refiro-me a palavras nem um pouco comuns e não a Variação Linguística Social e Etária dos idos anos 60, vulgarmente conhecida como “Gírias Idosas”. Quanto mais inóspito melhor, as palavras não precisam estar correlacionadas e coesas entre si necessariamente. Seja prolixo se preciso! Eis uma dica fundamental: Não varie em torno do nada! É insólito e ilógico um ser provido de massa encefálica realizar tal feito, não obstante é um paradoxo físico e filosófico.
Escolha um tema, disserte sobre o mesmo, mude-o antes de chegar ao desenvolvimento, adverbialize constantemente e perpiscazmente e não obstantemente invente verbos. Para um bom enrolador, não é preciso um vocabulário ostensivo e abastado, entretanto não sejamos hipócritas ao desejar uma epopéia com palavrório pífio. O que seria de Camões sem seus versos Alexandrinos? Imaginem o terrível e avassalador Adamastor indagando o magnífico herói, Vasco da Gama, com palavreado chulo e de calão!
Caso sejas um político, preste a devida atenção! Esqueça toda e qualquer demagogia. Não prometa melhorias na construção civil, educação, saúde e policiamento. Alugue os ouvidos do seu eleitorado por tempo indeterminado e conveniente. Caso sintas que o público não está tão interessado em seu discurso, não se deprima! Serás o primeiro político no âmbito mundial de todo o globo terrestre- pleonasmos são eficientes e redundantes- a aliviar toda uma comovida platéia ao finalizar o seu discurso.
Já lhes roubei quatro minutos e cinqüenta segundos exatamente, caso eu esteja errado, desejo que vossas mercês hão de ir ao distinto lugar aonde a profissional do sexo pariu-vos. Doravante, finde seu texto apocrítico e canastrão com um clichê de preferência. Pode até ser um dito popular- a sabedoria empírica popular me comove profundamente- ou até mesmo um jargão, como por exemplo: “Não faça hoje o que pode ser feito amanhã”, ou será que é o contrário?


Esse texto eu escrevi para uma demonstração de cinco minutos sobre o que sei fazer de melhor em um grupo de teatro do qual participo, pois julgo que escrever é o dote cultural que mais aprecio...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Greve Geral

Greve Geral

Em um programa humorístico qualquer da televisão, surgiu um boato que todos os comediantes não fariam mais as pessoas rirem para poder esquecer-se das atribulações da vida. Uma semana depois, todos os comediantes do mundo uniram-se nesta luta e entraram em greve de riso, assim como os roteiristas dos comediantes. A população ficou fadada a viver sem as piadas desses profissionais. Então, o povo para amenizar a situação começou a tentar piadas por todos os lados. O mais cômico é que as pessoas não riam das piadas por melhores que fossem.
As pessoas ficaram cada vez mais lacônicas, introspectivas, rabugentas e ranzinzas. O caos estava instaurado no mundo. Tudo começou a andar fora dos eixos... Bandidos pararam de cometer crimes, policias cometiam crimes (partindo do pressuposto que não o faziam antes), empresários começaram a se suicidarem, os suicidas viraram os empresários mais ricos do milênio.
Por incrível que pareça, todos os filmes, livro ou qualquer coisa que não fosse humana que continham uma piada ou mais foram destruídas automaticamente pelos Homens ao não mais achar graça das coisas. Todas essas coisas foram queimadas em uma grande fogueira, até blogs, sítios entre outras coisas virtuais foram incineradas do mesmo modo, entretanto ao acessar estes materiais uma única imagem aparecia: a imagem da Grande fogueira surgia imponente nos computadores do mundo.
Então, o governo mundial proibiu o riso e quem gargalhasse, sofreria uma severa retaliação. Que seria: assistir ao Zorra total, à Praça é Nossa e ao Chaves por vinte e quatro horas ininterruptas (esses programas o governo adquiriu no mercado negro da comédia) até que o descumpridor da Lei não achasse mais graça nenhuma da vida.
Ninguém mais se lembrava do por quê aquilo começara. As cidades ficaram com aspecto mais sombrio, o dia parecia noite também. Muitos enlouqueceram, houve casos de pessoas que os cérebros fritaram internamente e caíram no meio da rua.
Eis que surge um livro no Mercado Negro, esse é o novo nome do Mercado Livre, conhecido como: “A Verdade- Retrato da sociedade atual”. Este livro virou febre mundial e o governo não pode conter a sua venda descriminada. Na primeira página do tal livro, tinha uma fotografia da grande fogueira. Depois, tinham 300 páginas em branco e - na última página deste livro- tinha uma notinha ao final da página com letras miúdas que apenas podiam ser lidas com o auxílio de uma lupa: “Peço desculpas por ter começado esta desgraça. Tudo não passou de um mal-entendido, brinquei com o fato de os comediantes entrarem em greve e todos acreditaram.
P.S: O pintinho não tinha cu, foi peidar e explodiu:”.
O mundo ficou revoltado com o livro, pois entendera a verdade, mas não conseguiram entender todo o título do livro, pois acharam que ficou faltando o “retrato da sociedade atual” e muito menos compreenderam a mensagem no final da nota de rodapé. Então, jogaram os seus livros na grande fogueira e o mundo continuou na mesma mesmo...